segunda-feira, 15 de julho de 2013

Cuidado especial aos hispanos

As portas da Universal estão abertas diariamente para acolher imigrantes que vivem em São Paulo oprimidos por problemas que vão do abuso físico à falta de amor próprio


Por Cinthia Meibach / Fotos: Cedidas ou Demétrio???
redacao@arcauniversal.com
Um crime bárbaro chocou a população, no último dia 28. Seis ladrões mataram, com um tiro na cabeça, o menino Bryan Yanarico Capcha, de 5 anos, durante assalto à residência de seus pais,  Veronica Capcha e Edberto Yanarico Quiuchaca, bolivianos, que viviam na região de São Mateus, zona leste de São Paulo. O motivo da morte, segundo a mãe, foi o choro da criança que irritou um dos bandidos. O casal, que  estava no Brasil havia  6 meses, e em situação legal, retornou à Bolívia, logo após o assassinato de Bryan.
A família acima faz parte do número de imigrantes legalizados que vivem no Brasil: 1,5 milhão, de acordo com dados divulgados em 2012 pelo Ministério da Justiça. Entretanto, há milhares que entram no País ilegalmente, apenas com o visto de turista, que tem validade de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 90. Com o vencimento desse prazo, a situação passa a ser irregular. Ainda há casos de imigrantes vindos de países vizinhos que não portam nenhum tipo de documento. 
“Muitos vêm para o Brasil fugindo da miséria que vivem em seus países com promessa de emprego melhor. Aqui começam a trabalhar nas oficinas de costura e pequenas confecções, que os obrigam a cumprir uma rotina diária de mais de 12 horas de trabalho, por uma remuneração irrisória, que chega a 100 reais por mês, morando em habitações coletivas apertadas. Aqueles que conseguem juntar dinheiro com o trabalho se tornam presas fáceis para os bandidos, que sabem que os que aqui estão ilegalmente não têm conta em banco, assim são obrigados a ficar com o dinheiro em casa ou carregar por onde for”, destaca o pastor Ricardo Cis, que há mais de 7 anos realiza um trabalho especial para os hispanos de São Paulo, no bairro do Brás. 
O pastor explica que o caso do menino Bryan é apenas um dos crimes que acontecem diariamente na região do Brás, Pari e Bom Retiro, regiões de grande concentração da população imigrante, a diferença é que ganhou repercussão por causa da mídia. “Não são poucos os relatos de assaltos, abusos físicos e psicológicos que os imigrantes que aqui chegam nos contam. São muitos. Mas, como eles temem serem deportados, não fazem boletim de ocorrência e nem procuram ajuda. Alguns demoram meses para se abrir conosco. Só decidem desabafar quando são tocados pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo. Mas quando o fazem, é como tivessem tirado um caminhão de cima de seus ombros.”
Recentemente, Carlinda Tinôco (foto abaixo), responsável pelo Grupo Raabe, que oferece apoio às mulheres vítimas de agressão e abuso, recebeu no espaço dos hispânicos a boliviana que vamos identificar apenas como J., de 22 anos. Em prantos, ela contou à Carlinda que numa dessas oficinas de costura foi abusada sexualmente por cinco paraguaios, colegas de trabalho que, não satisfeitos, repetiram o ato por mais cinco vezes consecutivas. Com medo de ser expulsa do lugar, a costureira sofria calada, até que descobriu que estava grávida. 
“Ela chegou aqui com 4 meses de gestação. Como temos parceria com o Hospital Pérola Byington – centro de referência da saúde da mulher –, a encaminhei para um tratamento especial lá, que poderia facilitar o aborto, caso ela optasse por isso. Porém, com medo de ser deportada ou sofrer outras consequências piores dos agressores, ela sumiu por 2 meses. Nesta semana ela apareceu, porém, agora, o aborto não poderá ser feito. Mesmo assim, estamos prestando todo apoio a ela, que tem participado das reuniões toda semana”, conta Carlinda.
Aprender a se valorizar e a não aceitar mais o sofrimento calado é um dos diversos conselhos que os hispanos recebem todas as quartas-feiras e domingos, dias que acontecem reuniões na igreja localizada na Rua Carlos Botelho, anexo ao Templo da Universal do Brás. Nos outros dias, as portas ficam abertas, pois a qualquer momento pessoas na situação de J. ou piores podem precisar de ajuda. 
“O trabalho surgiu porque percebemos que muitos iam à Igreja, porém, não permaneciam por não compreenderem a mensagem transmitida por causa do idioma português. Nós fazemos os encontros e atendimentos em espanhol e, em algumas ocasiões, obreiros conhecedores dos dialetos indígenas realizam orações nas línguas aymaras, quíchua e guarani. Fazemos questão também de distribuir panfletos, estudos em espanhol, como também homenagear as datas folclóricas de cada país com a apresentação de vídeos e documentários”, explica o pastor argentino.
Tamanha dedicação da parte dos voluntários da Universal faz com que os hispanos se sintam acolhidos por uma família brasileira que não visa explorá-los, mas mostrar uma fé num Deus de resultados, algo extremamente novo para muitos. 
Quem pode confirmar isso é o peruano Hector Alex Jiano, de 24 anos (foto). Ele conta que aos 18 saiu do Peru em direção ao Brasil porque queria vencer na vida. Na fronteira, já começaram meus problemas. Foi confundido com um traficante. Conseguiu entrar, mas uma das oficinas de semi-escravidão já esperava por ele. Em meio a decepções sentimentais e sonhos frustrados, decidiu conhecer o lugar que o amigo estava frequentando, e de lá nunca mais saiu. 
“Eu percebi que meu amigo estava indo aos encontros dos hispanos na igreja e estava diferente. Eu queria esse algo especial que ele tinha. Graças a Deus encontrei. Tudo aqui me chamou atenção. Recebi uma paz imensa e uma força inexplicável para enfrentar e vencer os problemas. Eu agora recebo um cuidado que desde que cheguei ao Brasil nunca havia recebido. É tudo muito bom”, comemora o peruano, que após exercitar a fé já está trabalhando por conta própria no ramo de corte de tecidos, tendo até funcionários, que trabalham em condições dignas, como faz questão de ressaltar. “Não quero para ninguém o que passei, pelo contrário, convido todos meus funcionários a participar das reuniões aqui comigo.” 
A repórter da IURD TV, Thaís Gomes, ano passado, foi conhecer melhor a realidade desses imigrantes hispanos e também conversou com mais pessoas que foram beneficiadas pelas reuniões especiais da Universal. Confira:

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