Grupo "Mulheres em Ação" reúne mais de 7,5 mil pessoas no Cenáculo do Espírito Santo, em Soweto, para falar das boas escolhas que estruturam o futuro de todos
A realidade do Apartheid, o regime de segregação racial da África do Sul até poucos anos atrás, muita gente conheceu. Mas outro clamor pela liberdade e igualdade, este menos conhecido, soou na capital executiva do país há 56 anos.
Em meados do século passado, vigorava na África do Sul o Ato das Áreas Urbanas, iniciado em 1950, popularmente conhecido como “lei do passe”, que obrigava a população negra a portar um documento (o citado passe) caso saísse das áreas reservadas a eles e fossem para as partes da cidade destinadas à etnia branca. A lei era tão absurda, que qualquer pessoa branca, mesmo uma criança, podia pedir para que um negro apresentasse o passe, humilhando-o. Os negros que não tivessem os passes ou se negassem a mostrá-lo podiam ser presos.
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Em 9 de agosto de 1956, mais de 20 mil mulheres sul-africanas marcharam pelas ruas de Pretória em um grande movimento contra a lei do passe, com uma petição com mais de 100 mil assinaturas, expressando sua frustração e revolta quanto à restrição do direito de ir e vir. Durante 30 minutos, aquelas mulheres, muitas delas com crianças no colo, permaneceram no mais completo silêncio, que acabou por soar fundo contra o preconceito.
O protesto tinha cunho antirracista, mas também feminista. As mulheres reivindicavam a igualdade entre os sexos, pois a arcaica África do Sul ainda as restringia bastante em seus direitos.
O 9 de Agosto passou a ser comemorado todos os anos como um marco na luta das mulheres por seus direitos, hoje protegidos numa África do Sul pós Apartheid, em que negros já chegaram até mesmo à presidência do país, e mulheres compõem parte importante da liderança política. É o Dia Nacional da Mulher.
A Igreja Universal do Reino de Deus comemorou a data à altura. Em 9 de agosto deste ano, 7,5 mil pessoas com as tradicionais roupas sul-africanas em cores vibrantes ignoraram o frio em Soweto e lotaram o Cenáculo do Espírito Santo, onde puderam assistir a uma calorosa ministração com o tema “Escolhas”.
Marcia Pires (foto ao lado), fundadora doMulheres em Ação (o Women in Action – WiA), discursou em honra às mulheres do protesto de 56 anos atrás que lutavam contra o racismo e o machismo. “Aquelas mulheres fizeram uma escolha: a liberdade. Porém, será que somos realmente livres, ou escolhas antigas impactam negativamente nossas vidas, nos mantendo hoje presos, escravizados? O que você está fazendo com sua liberdade atualmente?
Ensinando que uma escolha é um processo mental de avaliar as opções disponíveis e decidir por um curso de ação, um caminho, Marcia citou líderes históricas, cujas boas escolhas transformaram a sociedade sul-africana e motivaram a população a lutar contra a injustiça e a miséria. “Más escolhas, incluindo a procrastinação e a gravidez precoce, costumam baixar a autoestima e a autoconfiança, refletindo negativamente no futuro. Eu incentivo qualquer pessoa a ter o controle de suas escolhas, tomar boas decisões a partir de agora. Em tudo o que se faz, há sempre uma escolha a ser feita. Não permita que más escolhas comprometam seu futuro. Faça escolhas de qualidade, que resultarão em um futuro brilhante. E sempre se responsabilize por essas escolhas.”
A estrutura do futuro
E quem fez escolhas ruins? A fundadora do WiA orienta de forma exemplar: “Inspire-se naquelas mulheres que viviam sob leis injustas e desigualdade, mas encontraram um modo de romper essas barreiras. Fazendo cuidadosamente suas escolhas agora, você pode mudar a realidade ao seu redor. Por isso, escolha cuidadosamente seu cônjuge, sua carreira, seus princípios, seus valores, sua crença e o estilo de vida que você quer. Essas escolhas são a estrutura de seu futuro.”
Marcia, a certa altura, citou um contundente trecho bíblico:
“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,”
Deuteronômio 30:19
Lembrando a meia hora de silêncio das mulheres de 1956, Marcia pediu que todos no Cenáculo permanecessem quietos por 1 minuto, durante o qual cada presente se comprometeu a fazer boas escolhas para sua vida.
Fonte: arcauniversal
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